Artigo publicado no Portal Mundo Alegrai-vos
Por Ivana Gehlen
A coerência é uma palavra importante a ser acrescentada no vocabulário cristão. Ela está lá para alguns, mas é ainda obscura para muitos. Estar cercado da graça de Deus e escolher anunciá-la aos outros é um comprometimento que não pode ser esquecido quando você puser os pés para fora do templo. Estar coerente com o que se diz em nome de Deus não é uma regra, é uma lógica. É algo a ser discernido antes de dizer sim à sua comunidade, aos seus irmãos, ao seu Deus. Ela vem antes do anúncio.. porque ela é testemunho. E esse testemunho não está alheio às suas atitudes no trabalho, na faculdade, com a família, com os amigos.. nos bares, nas festas, em suas viagens ou jogos de futebol.
Quando refletimos sobre a hipocrisia que encobre membros de todas as religiões e crenças, nos restringimos àquelas doutrinas “escritas”. Esquecemos que os ensinamentos de Cristo estavam também nas coisas simples, nos gestos mais sutis. Na igreja católica, por exemplo, costuma-se dizer que se você é católico deve ser a favor da vida, fazer caridade em forma de obras e manter a castidade. Ok, correto! Só que apenas fazendo isso, muitos católicos esquecem de alguns detalhes da caminhada rumo ao céu.“Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim” (Marcos 7:6).
Ser legal, ser bom, viver em Jesus é muito mais do que todo esse discurso bonito. É hoje, é amanhã, é onde você está agora. Está no seu tom de voz, no seu sorriso, no seu jeito de corrigir o irmão, está naquela comida boa de mãe, na tarde agradável de filme e pipoca com os amigos, no passeio no parque com uma criança. Amar o vizinho, ter paciência com seu amigo mais carente, estar disponível para os que sofrem, Jesus é uma poesia a ser escutada e proclamada em cada coisa boa da vida. As chances de ser um pouco como foi Jesus são diárias e inúmeras.. elas batem à porta, mas nossos instintos não estão prontos para captar todas elas. Por muito pouco brigamos, nos exaltamos, ficamos sérios e magoados. Por menos ainda, brigamos com colegas, com membros da família, com esposos e esposas, plantamos a fofoca e a discórdia.. sem nem perceber. Mas, lembre-se que o amor “...não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal” (1 Coríntios, 13:5).
Sabe onde começa o desamor? Naquele bom dia ignorado, na falta de consciência ambiental com aquilo que Deus criou, na falta de caridade com pessoas diferentes de você; na falta de humildade quando você faz obras bonitas, principalmente em favor de Deus; na vaidade, quando você não perdoa o outro, quando não se perdoa. “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” (Mateus, 23:28). As vezes é preciso fazer coisas de que não gostamos muito só para ver alguém feliz. Outras vezes é preciso até sofrer um pouco, para ver o outro sorrir.
Por isso, é preciso coerência. Seja coerente com as passagens que falam de amor e mansidão.. não só nas escolhas grandes, nas decisões revolucionárias da vida, mas também nas pequenas escolhas do dia, no conviver, no perdoar, no entender. “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.” (1 Coríntios 13:4). O amor é bondoso, o amor é misericordioso. Ele também deve ser coerente, como Deus o é com você.
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